A ansiedade é uma das perturbações psiquiátricas mais frequentes na população. Segundo a Organização Mundial de Saúde, os transtornos de ansiedade estão entre os problemas de saúde mental mais prevalentes a nível mundial, afetando milhões de pessoas de todas as idades. Embora a ansiedade seja uma resposta natural do organismo ao perigo ou ao stress, quando se torna excessiva, persistente e incapacitante, pode comprometer seriamente a qualidade de vida do indivíduo.
A ansiedade patológica manifesta-se através de preocupação constante, medo intenso e desproporcionado, sensação de perda de controlo e antecipação negativa do futuro. Muitas vezes associa-se a sintomas físicos como palpitações, falta de ar, tensão muscular, tremores, tonturas, alterações do sono e do apetite, bem como dificuldade de concentração e irritabilidade. Estas manifestações podem tornar-se tão intensas que interferem com a vida pessoal, profissional e social do doente.
A ansiedade normal é uma emoção adaptativa e necessária à sobrevivência. Surge perante situações desafiantes, ajudando-nos a preparar e a reagir adequadamente. A perturbação de ansiedade, por outro lado, caracteriza-se por uma resposta exagerada e persistente, mesmo na ausência de um perigo real ou proporcional.
Podemos comparar a ansiedade normal a um sinal de alerta temporário, semelhante ao cansaço após um dia exigente, que desaparece com o descanso. Já a ansiedade patológica assemelha-se a um alarme que permanece constantemente ligado, mesmo quando não existe ameaça, exigindo intervenção clínica para ser controlada e tratada.
O internamento psiquiátrico nos quadros de ansiedade pode ser altamente benéfico, especialmente quando os sintomas são graves, persistentes ou incapacitantes, quando existe risco associado (como ataques de pânico frequentes, comportamentos evitativos extremos ou ideação suicida), quando há ausência de suporte psicossocial ou quando o tratamento em regime ambulatório não tem sido eficaz.
O internamento oferece um ambiente seguro e estruturado, onde o doente pode receber tratamento intensivo e contínuo até à estabilização dos sintomas. É particularmente indicado quando a ansiedade impede o indivíduo de realizar atividades básicas do dia a dia, como dormir, alimentar-se, cuidar da higiene pessoal ou sair de casa.
Durante o internamento, o paciente é acompanhado por uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde mental, incluindo psiquiatras, psicólogos clínicos e outros técnicos especializados. Esta equipa avalia de forma aprofundada o quadro clínico e define um plano de tratamento individualizado, que pode incluir ajuste farmacológico, psicoterapia individual e em grupo, bem como intervenções focadas na gestão da ansiedade e no desenvolvimento de estratégias de coping.
O tratamento das perturbações de ansiedade é geralmente mais eficaz quando existe uma articulação entre a psiquiatria e a psicoterapia. Em situações em que esta abordagem não é suficiente ou quando os sintomas se agravam, o internamento em estruturas intermédias — entre o hospital e o acompanhamento ambulatório — revela-se uma resposta eficaz. Estas estruturas, centradas na psicoterapia, no suporte emocional e na farmacologia, têm demonstrado resultados consistentes e duradouros no controlo da ansiedade e na melhoria da qualidade de vida dos doentes.
Se você, um familiar ou amigo necessita deste tipo de apoio, não hesite em contactar-nos. Estamos aqui para o esclarecer e ajudar.